A Delegacia do Ministério Público no Tribunal Regional de Cacheu, em Bissorã, acusou e já requereu o julgamento do processo relativo à morte de oito pessoas e vinte e um feridos, em fevereiro passado, por ingestão de líquido de origem vegetal que supostamente identifica feiticeiros.
O caso aconteceu em 21 de fevereiro último, na localidade de Culadji, próxima à secção de Suzana, pertencente ao setor de São Domingos, onde foi denunciada que oito idosos terão sido mortos acusados de prática de feitiçaria e um total de 21 idosos foram hospitalizados em estado grave.
Segundo relatos da comunidade, um homem que se identifica de vidente (djambakus) foi chamado com o intuito de realizar práticas tradicionais com vista à expulsar atos de feitiçaria na mesma comunidade e de seguida a população foi chamada, organizada por sexo e faixa etária, e seletivamente foram forçados à beber com medicamento feito com base em plantas medicinais como teste para descobrir se são feiticeiros.
Passados dois meses, a Procuradoria-geral da República, através de uma nota, informa que um total de 23 arguidos, entre eles um vidente (djambakus) contratado pela população local com vista a descobrir supostos feiticeiros que estariam na origem de morte de grávidas, crianças e jovens.
A mesma fonte conta ainda que, estes arguidos são acusados de oito crimes de ofensas corporais agravado pelo resultado e vinte e um de ofensas corporais simples.
Nos termos da legislação penal em vigor na Guiné-Bissau, os mesmos podem ser condenados até dez anos de prisão, consta ainda na mesma nota.
Sabe-se ainda que o vidente encontra-se em fuga, motivo pelo qual não prestou termo de identidade e residência e nem foi possível a sua detenção para o primeiro interrogatório e, por isso, será julgado a “revelia absoluta própria”, pelos mesmos crimes.
A procuradoria avança ainda que com a exceção deste vidente e duas arguidas “por razões objetivas”, os vinte incriminados estão a aguardar o julgamento na prisão preventiva.
O caso que agora vai a julgamento, é o segundo do género, na localidade de São Domingos onde pessoas acusadas de feitiçaria foram mortas. O primeiro caso aconteceu em julho do ano passado, na secção de Suzana, e ainda aguarda o julgamento nos tribunais.
Na sequência do último ato que resultou na morte de oito pessoas, a RSM sabe ainda que as forças policiais deslocaram-se ao local e mantiveram contatos com a população e horas depois a situação aparentemente ficou calma.
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